top of page

Inteligência Artificial sob uma lente bíblica

  • há 14 horas
  • 5 min de leitura

O que é Inteligência Artificial?

IA é uma tecnologia que processa grandes quantidades de dados para realizar tarefas de uma forma que simula a inteligência humana, como resolver problemas e aprender. A maioria de nós já usa IA sem perceber. Se você usa um cartão fidelidade de supermercado, ele está usando IA para rastrear suas preferências de compras e gerenciar o estoque. Ao planejar uma viagem em um telefone ou computador, IA mapeia os movimentos de tráfego para encontrar uma rota rápida. Se você faz uma pesquisa no Google, a primeira coisa que vê frequentemente é um resumo gerado por IA dos resultados.


Criados à imagem de Deus

Qual é a diferença entre Inteligência Artificial (IA) e a humanidade? Gênesis afirma que os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26–28) e que sua dignidade,  valor e propósito podem ser encontrados em relacionamento – uns com os outros, com a criação e com Deus.


A inteligência artificial, por outro lado, não foi criada à imagem de Deus, mas à imagem dos humanos. A IA não tem livre-arbítrio, não sabe fazer escolhas morais, não tem sentimentos ou nem mesmo um corpo. Pode ser que essas coisas venham a acontecer no futuro, mas, mesmo assim, seriam criados por humanos, não por Deus.


A IA poderia minar a dignidade da personalidade? Existem simplesmente algumas coisas que só os humanos podem ou devem fazer? O cristianismo insiste que há uma dignidade inerente ao trabalho. Essa é uma das razões pelas quais os programas de emprego são importantes em muitos territórios do Exército de Salvação. Um benefício da IA é que ela poderá automatizar certos trabalhos que são perigosos ou insatisfatórios para os humanos. Mas existe o risco da IA desumanizar o trabalho ao automatizá-lo cada vez mais.


Comprar uma passagem na estação de trem, ir ao banco, pagar suas compras – importa se podemos fazer isso sem interagir com uma pessoa de verdade? Esses cenários já são uma realidade crescente. Para pessoas isoladas, isso pode ser muito perturbador – elas podem ser as únicas pessoas com quem conversam em qualquer dia. Os avanços tecnológicos sempre trouxeram mudanças aos empregos, mas a IA tem a capacidade de aumentar isso exponencialmente.


Cuidando da criação

Deus confiou aos humanos a responsabilidade de cuidar da criação (Gênesis 1:26–28). O apetite da humanidade pelo avanço da tecnologia não vem sem um custo físico para o meio ambiente. A IA e seus dados dependem de recursos físicos para armazenamento e processamento. Quais dados armazenamos, como e onde os armazenamos e com que frequência descartamos dispositivos para atualizar para novos modelos impactam a criação de Deus.


Cuidar da criação também inclui a mordomia da tecnologia. A IA, como qualquer outra ferramenta, pode ser usada para o bem ou para o mal. Com todos os problemas potenciais que podem surgir do uso indevido, será que os humanos estarão dispostos a assumir a responsabilidade? Qual responsabilidade temos, como Exército de Salvação, de falar no espaço público sobre o uso moral e ético da IA? O uso da IA na sociedade e na indústria vai se desenvolver, gostemos ou não, mas como nosso uso e gestão da IA podem refletir Cristo? A lista de Paulo sobre o fruto do Espírito (Gálatas 5:22–26) vem à mente. Como o amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e o domínio próprio podem ser mostrados na forma como nos relacionamos com a IA?


O Senhorio de Deus

O primeiro dos Dez Mandamentos (Êxodo 20:1–17) ordena que o povo de Deus não tenha “outros deuses além de mim”. Com a IA, há riscos de criar algo que seja “onisciente” ou “onipresente”. Seria fácil para a humanidade ver a IA como uma espécie de salvadora. Isso deveria ser profundamente problemático para os cristãos.

Paulo incentiva os cristãos em Éfeso a lembrarem que “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés” (Efésios 1:22). Já sabemos que algoritmos de computador em nossos dispositivos e na internet são usados para nos influenciar, seja comprando coisas ou moldando nossas opiniões. Poderíamos facilmente cair no que os profetas do Antigo Testamento alertavam se elevarmos a IA a uma posição em que ela tome decisões por nós ou sobre a vida de outras pessoas. Isso pode até ser considerado idolatria a nós mesmos, porque a IA é construída à nossa imagem, não à de Deus.


Arrogância humana

A história da Torre de Babel (Gênesis 11:4) alerta contra a arrogância humana e o desejo de se tornar divino. Isso pode nos ajudar a pensar em abordar a IA com humildade. Não há nada de errado ou anticristão em ser ambicioso para melhorar o mundo – a IA está se mostrando uma ferramenta fantástica para enfrentar alguns dos desafios mais profundos que os seres humanos enfrentam, desde avanços médicos até o monitoramento da superexploração do habitat natural. Mas nossa ambição deve sempre ser temperada com o chamado de Cristo para buscar sermos servos de todos e depositar nossa confiança somente em Deus (Salmo 20:7).


Que a nossa confiança na tecnologia humana não se eleve nem supere nossa confiança em Deus para promover o tipo de mudança que nosso mundo precisa.


A busca pela justiça

Existe uma enorme capacidade de desigualdades se desenvolverem com o uso da IA – ou, mais provavelmente, de a IA acentuar desigualdades que já existem. Como a IA usa a internet para coletar informações e dados para seus cálculos, esperaríamos que ela refletisse os vieses e desigualdades do nosso mundo. O medo é que isso simplesmente amplifique esses fatores – que o racismo estrutural ou o sexismo em sociedades e culturas, por exemplo, estejam embutidos na IA desde o início. Precisamos estar atentos a isso.

Também sabemos que existe uma divisão digital em nossas comunidades. Há muitas pessoas no mundo que simplesmente não têm acesso à internet, muito menos aos dispositivos necessários para usar a IA – até ferramentas simples, como o chatbot de IA ChatGPT, têm um preço.


O Salmo 146 revela que Deus tem um viés em favor dos pobres e marginalizados: “Ele defende a causa dos oprimidos e dá alimento aos famintos” (v.7). Como uma Igreja que se preocupa em corrigir os erros do mundo, precisamos estar prontos para destacar as consequências injustas dos avanços tecnológicos.


Chamado ao amor

Por fim, devemos lembrar que somos chamados ao amor e à compaixão. Jesus nos ordena: “ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39). Os cristãos devem incentivar desenvolvedores e usuários a priorizarem compaixão, empatia e consideração pelo bem-estar dos outros no uso da IA.


A igreja já enfrentou e se beneficiou de avanços tecnológicos no passado. A prensa de impressão foi vital para colocar a Bíblia nas mãos das pessoas comuns, e o Exército de Salvação frequentemente adotou novas tecnologias para compartilhar boas notícias, incluindo filmes, carros e até fósforos!


Paulo diz à igreja em Corinto: “Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes. Façam tudo com amor” (1 Coríntios 16:13-14). Não precisamos esperar para fazer isso. Já podemos adotar um tom amoroso nas redes sociais ou amplificar as vozes de outros que muitas vezes são ignorados. Já podemos tomar uma posição sobre como nos relacionamos com o uso da tecnologia de maneiras amáveis e amorosas. Já podemos modelar o chamado de Jesus na forma como falamos sobre as oportunidades e riscos da IA no futuro.

 

Tenente-Coronel Nick Coke

Secretário de Comunicação, Território do Reino Unido e da Irlanda


Texto traduzido da revista Salvationist, Reino Unido

Comentários


Logo

Rua Juá, nº 264 - Bosque da Saúde - São Paulo - SP - Cep: 04138-020

Informações sobre agendamento de doações: 4003 2299

Informações sobre demais assuntos: (11) 5591 7074 (não atende aos fins de semana)

© 2026 - Assistência e Promoção Social Exército de Salvação.

Política de Cookies | Política de Privacidade

  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
  • X
  • LinkedIn
  • YouTube - Círculo Branco
  • Youtube
  • Whatsapp
Selo Doar
bottom of page